''O nome
popular de pancadas dá uma idéia muito falsa desses gêneros de fenômenos.
Por
diferentes vêzes, durante as minhas experiências, ouvi pancadas delicadas, como
produzidas pela ponta de um alfinete; uma cascata de sons penetrantes como os
de qualquer máquina de indução em plena atividade; detonações no ar, ligeiros
ruídos metálicos agudos; estalidos como os que se ouvem quando uma máquina de
fricção está em atividade; sons que pareciam arranhadelas; gorjeios como os de
um pássaro, etc.
Esses
ruídos, que verifiquei com quase todos os médiuns, têm cada um sua
particularidade especial.
Com o Senhor
Home, são mais variados; mas, quanto a fôrça e regularidade, não encontrei
absolutamente ninguém que pudesse aproximar-se da Senhora Kate Fox.
Durante
vários meses, tive o prazer de em inúmeras ocasiões verificar os fenômenos
variados que se produziam em presença desta senhora, e foram esses ruídos que
especialmente estudei.
E geralmente
necessário, com os outros médiuns, para uma sessão regular, que todos fiquem
sentados e em silêncio, mas com a Senhora. Fox parece-lhe simplesmente
necessário colocar a mão sobre qualquer parte, para que sons ruidosos ai se
façam ouvir, como que triplo choque, e algumas vêzes, com bastante fôrça para
serem ouvidos através de vários aposentos.
Ouvi-os
assim produzir-se em uma árvore, num grande quadro de vidro, em um arame
esticado, numa membrana distendida, em um tamboril, sobre a cobertura de uma
carruagem, e no tablado de um teatro. Ainda mais, o contato imediato nem sempre
é necessário; ouvi esses ruídos saírem do soalho, das paredes, etc., quando a
médium tinha as mãos e os pés ligados, quando estava em pé sobre uma cadeira,
quando se achava em uma balança suspensa do teto, quando estava encerrada em
uma gaiola de ferro, e quando em _letargia numa poltrona. Ouvi-os sobre os
vidros de uma harmônica, senti-os sobre os meus próprios ombros e sob as minhas
mãos. Ouvi-os sobre uma folha de papel segura entre os meus dedos, por uma
extremidade de fio passado num canto dessa folha.
Com pleno
conhecimento das numerosas teorias que foram apresentadas antes, sobretudo na
América, para explicar esses sons, experimentei-os de todas as maneiras que
pude imaginar, até não mais ser possível furtar-me à convicção de que eram bem
reais e que não se produziam pela fraude ou por meios mecânicos.
Uma questão
importante impõe-se à nossa atenção: esse movimentos e esse ruídos são governados
por uma inteligência? Desde o comêço das minhas pesquisas, verifiquei que o
poder que produzia esse fenômenos não era simplesmente uma fôrça cega, mas que
uma inteligência os dirigia, ou pelo menos lhes estava associada; assim os
ruídos de que acabo de falar foram repetidos em número determinado;
tornaram-se fortes ou fracos, e, a meu pedido, ressoaram em diferentes
lugares; por um vocabulário de sinais, convencionados previamente, foram
respondidas perguntas e dadas comunicações com maior ou menor exatidão.
A
inteligência que governa esse fenômenos é algumas vêzes manifestamente inferior
à do médium, e está muitas vêzes em oposição direta aos seus desejos. Quando
se tomava a determinação de fazer alguma coisa, que não podia ser considerada
muito razoável, contínuas comunicações eram dadas para, induzir a refletir de novo.
Essa
inteligência é, algumas vêzes, de tal caráter, que nos vemos forçados a crer
não provenha de nenhuma das pessoas presentes.
Eu poderia
dar vários exemplos, como prova dessas alegações, porém, mais tarde, quando
tratar da origem dessa inteligência, o assunto será discutido mais a fundo.''
Todos esses posts, foram retirados do livro "Fatos Espíritas", e todos estes fatos foram observados pelo cientista William Crookes.
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