''Ficou já
provado que esses fenômenos são governados por uma inteligência. É muito
importante conhecer a fonte dessa inteligência.
É do médium,
de uma das pessoas presentes que estão no aposento, ou antes essa inteligência
estará fora deles? Sem querer, presentemente, pronunciar-me de modo positivo sobre
esses pontos, posso dizer que, ao verificar que em muitos casos a vontade e a
inteligência do médium parece terem muita ação sobre os fenômenos, observei
também vários casos que parece mostrarem, de maneira concludente, a ação de
uma inteligência exterior e estranha a todas as pessoas presentes (4).
O espaço não
me permite dar aqui todos os argumentos que se podem apresentar para provar
essas asserções, mas entre grande número de fatos mencionarei resumidamente um
ou dois.
Em minha
presença vários fenômenos se produziram ao mesmo tempo, sendo que a médium não
os conhecia todos. Cheguei a ver a Senhora. Fox escrever automàticamente uma
comunicação para um dos assistentes, enquanto uma outra comunicação sobre outro
assunto lhe era dada para uma outra pessoa por meio do alfabeto e por pancadas.
Durante todo esses tempo à médium conversava com uma terceira pessoa, sem o
menor embaraço, sobre assunto completamente diferente dos outros dois.
Caso,
talvez, mais surpreendente, é o seguinte: durante uma sessão com o Senhor Home,
a pequena régua, de que já falei, atravessou a mesa para vir a mim, em plena
luz, e deu-me uma comunicação, batendo-me em uma das mãos.
Eu soletrava
o alfabeto e a régua batia nas letras necessárias; a outra extremidade da régua
repousava na mesa, a certa distância das mãos do Senhor Home.
As pancadas
eram tão claras e tão precisas, e a régua estava tão evidentemente sob a
influência de um poder invisível que lhe dirigia os movimentos, que eu disse:
A inteligência que dirige os movimentos desta, régua pode mudar o caráter dos
seus movimentos, e dar-me por meio de pancadas, em minha mão, uma comunicação
telegráfica com ò alfabeto Morse?
Tenho todos
os motivos para crer que o alfabeto Morse era inteiramente desconhecido das
pessoas presentes, e eu mesmo não o conhecia perfeitamente. Mal acabava de
pronunciar aquelas palavras, o caráter das pancadas mudou; mas a comunicação
continuou da maneira que eu tinha pedido. As letras foram-me dadas rapidamente,
de modo que não pude apanhar senão uma ou outra palavra, e, por conseguinte,
essa comunicação se perdeu; mas, eu tinha visto o bastante para convencer-me de
que na outra extremidade da régua havia um bom operador de Morse, qualquer que
ele fosse.
Ainda outro
exemplo: uma senhora escrevia automaticamente por meio da prancheta; experimentei
descobrir o meio de provar que o que ela escrevia não era devido à ação
inconsciente do cérebro. A prancheta, como o fazia sempre, afirmava que, ainda
que fosse posta em movimento pela mão e pelo braço dessa senhora, a
inteligência que a dirigia era a de um ser invisível, que se servia do cérebro
da senhora como de um instrumento de musica, e fazia, assim, mover-lhe os
músculos.
Disse eu,
então, a essa inteligência: Vê o que há neste aposento? - Sim, escreveu a
prancheta. - Vês este jornal e podes lê-lo? acrescentei, colocando o dedo sobre
um número do Times que estava em uma mesa atrás de mim, mas sem olhá-lo. - Sim,
respondeu a prancheta. - Bem, disse eu, se podes vê-lo, escreve a palavra que
está agora coberta por meu dedo, e dar-te-ei crédito. A prancheta começou a
mover-se lentamente, e com alguma dificuldade escreveu a palavra however.
Voltei-me e vi que a palavra however estava coberta pela extremidade do meu
dedo.
Quando fiz
essa experiência, tinha evitado, de propósito, olhar para o jornal, sendo
impossível à senhora, embora o tentasse, ver uma só das palavras impressas,
porque estava assentada perto de uma mesa, além de que o jornal estava sobre
outra, que se achava atrás de mim, e o meu corpo interceptava-lhe a vista.''
Livro Fatos Espíritas por, William Crookes.
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