quinta-feira, 20 de novembro de 2014

CASOS PARTICULARES PARECENDO INDICAR A AÇÃO DE UMA INTELIGÊNCIA EXTERIOR

''Ficou já provado que esses fenômenos são go­vernados por uma inteligência. É muito importante conhecer a fonte dessa inteligência.
É do médium, de uma das pessoas presentes que estão no aposento, ou antes essa inteligência estará fora deles? Sem querer, presentemente, pronun­ciar-me de modo positivo sobre esses pontos, posso dizer que, ao verificar que em muitos casos a von­tade e a inteligência do médium parece terem muita ação sobre os fenômenos, observei também vários casos que parece mostrarem, de maneira concluden­te, a ação de uma inteligência exterior e estranha a todas as pessoas presentes (4).
O espaço não me permite dar aqui todos os argumentos que se podem apresentar para provar essas asserções, mas entre grande número de fatos mencionarei resumidamente um ou dois.
Em minha presença vários fenômenos se pro­duziram ao mesmo tempo, sendo que a médium não os conhecia todos. Cheguei a ver a Senhora. Fox escre­ver automàticamente uma comunicação para um dos assistentes, enquanto uma outra comunicação sobre outro assunto lhe era dada para uma outra pessoa por meio do alfabeto e por pancadas. Durante todo esses tempo à médium conversava com uma ter­ceira pessoa, sem o menor embaraço, sobre assunto completamente diferente dos outros dois.
Caso, talvez, mais surpreendente, é o seguinte: durante uma sessão com o Senhor Home, a pequena régua, de que já falei, atravessou a mesa para vir a mim, em plena luz, e deu-me uma comunicação, batendo-me em uma das mãos.
Eu soletrava o alfabeto e a régua batia nas letras necessárias; a outra extremidade da régua repousava na mesa, a certa distância das mãos do Senhor Home.
As pancadas eram tão claras e tão precisas, e a régua estava tão evidentemente sob a influência de um poder invisível que lhe dirigia os movimen­tos, que eu disse: A inteligência que dirige os mo­vimentos desta, régua pode mudar o caráter dos seus movimentos, e dar-me por meio de pancadas, em minha mão, uma comunicação telegráfica com ò alfabeto Morse?
Tenho todos os motivos para crer que o alfa­beto Morse era inteiramente desconhecido das pes­soas presentes, e eu mesmo não o conhecia perfei­tamente. Mal acabava de pronunciar aquelas pala­vras, o caráter das pancadas mudou; mas a comu­nicação continuou da maneira que eu tinha pedido. As letras foram-me dadas rapidamente, de modo que não pude apanhar senão uma ou outra palavra, e, por conseguinte, essa comunicação se perdeu; mas, eu tinha visto o bastante para convencer-me de que na outra extremidade da régua havia um bom ope­rador de Morse, qualquer que ele fosse.
Ainda outro exemplo: uma senhora escrevia automaticamente por meio da prancheta; experi­mentei descobrir o meio de provar que o que ela escrevia não era devido à ação inconsciente do cérebro. A prancheta, como o fazia sempre, afirmava que, ainda que fosse posta em movimento pela mão e pelo braço dessa senhora, a inteligência que a di­rigia era a de um ser invisível, que se servia do cérebro da senhora como de um instrumento de musica, e fazia, assim, mover-lhe os músculos.
Disse eu, então, a essa inteligência: Vê o que há neste aposento? - Sim, escreveu a prancheta. - Vês este jornal e podes lê-lo? acrescentei, colocando o dedo sobre um número do Times que estava em uma mesa atrás de mim, mas sem olhá-lo. - Sim, respondeu a prancheta. - Bem, disse eu, se podes vê-lo, escreve a palavra que está agora coberta por meu dedo, e dar-te-ei crédito. A prancheta come­çou a mover-se lentamente, e com alguma dificulda­de escreveu a palavra however. Voltei-me e vi que a palavra however estava coberta pela extremidade do meu dedo.
Quando fiz essa experiência, tinha evitado, de propósito, olhar para o jornal, sendo impossível à senhora, embora o tentasse, ver uma só das palavras impressas, porque estava assentada perto de uma mesa, além de que o jornal estava sobre outra, que se achava atrás de mim, e o meu corpo inter­ceptava-lhe a vista.''

Livro Fatos Espíritas por, William Crookes.

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