quarta-feira, 19 de novembro de 2014

ESCRITA DIRETA

''E esta a expressão empregada para designar a escrita que não é produzida por nenhuma das pes­soas presentes.
Obtive várias vêzes palavras e comunicações escritas em papel marcado com o meu sinete parti­cular e, sob as mais rigorosas condições de controle, ouvi na escuridão o ranger do lápis a mover-se sobre o papel.
As precauções, previamente tomadas por mim, eram tão grandes que eu estava perfeitamente con­vencido como se eu houvesse visto os caracteres se formarem. Mas, como o espaço não me permite entrar . em todas as minúcias, limitar-me-ei a citar os casos nos quais meus olhos, tão bem quanto os meus ouvidos, foram testemunhas da operação.
O primeiro fato, que citarei, produziu-se, é certo, em uma sessão às escuras, mas o seu resultado não foi menos satisfatório.
Eu estava sentado perto da médium, a Senhora. Fox; não havia outras pessoas presentes, além de minha mulher e uma senhora nossa parenta, e eu segurava as mãos da médium com uma das minhas, enquanto que seus pés estavam sobre os meus.
Diante de nós, sobre a mesa, havia papel, e a minha mão livre segurava o lápis.
Mão luminosa desceu do teto da sala e, depois de ter pairado perto de mim durante alguns segun­dos, tomou-me o lápis, escreveu rapidamente numa folha de papel, abandonou o lápis e, em seguida, elevou-se acima das nossas cabeças, perdendo-se pouco a pouco na escuridão.
O meu segundo exemplo pode ser considerado um insucesso.
Um grande revés ensina muitas vêzes mais do que a experiência mais bem sucedida.
Essa manifestação se realizou à luz, em minha própria sala, e somente em presença do Senhor Home e de alguns amigos íntimos.
Várias circunstâncias, das quais é inútil fazer a narração, me tinham mostrado que o poder do Senhor Home era muito forte essa noite. Exprimi, pois, o desejo de ser testemunha, nesse momento, da pro­dução de uma comunicação escrita, do modo por que antes eu tinha ouvido narrar por um dos meus amigos.
Imediatamente nos deram a seguinte comuni­cação alfabética: Experimentaremos.
Colocamos algumas folhas de papel e um lápis no meio da mesa, e, então, o lápis ergueu-se apoian­do-se sobre a ponta, avançou para o papel com saltos mal seguros, e caiu. Depois, tornou a levantar-se e a cair ainda. Uma terceira vez se esforçou, mas sem obter melhor resultado.
Depois dessas três tentativas infrutíferas, uma pequena régua, que se achava ao lado sobre a mesa, resvalou para o lápis e elevou-se a algumas polega­das acima da mesa, o lápis levantou-se de novo, apoiou-se na régua, e ambos fizeram esforço para escrever no papel. Depois de terem experimentado três vêzes, a régua abandonou o lápis e voltou ao seu lugar; o lápis tornou a cair sobre o papel, e uma comunicação alfabética nos disse: Experimentarmos satisfazer o vosso pedido, porém está acima do nosso poder.''

Livro Fatos Espíritas por, William Crookes. 

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